sexta-feira, 27 de novembro de 2009

share no bill




foi à luz do fogão

difundia

que o ato se consumou

consumindo gás e inocência

(à guisa de radiação

não havia energia)


o que restou de carne

deu para matar a fome

e a sede

contraponto

com água gelada

como de cães

o coito na madrugada







embora os olhos

é a boca que a

trai






terça-feira, 24 de novembro de 2009

prótese




desmontável

protético

impenetrável

o manequim não pode ser

particula

rizado

(plástico é

plástico)


melhores ventríloquos

a TV e o rádio

fazem companhia àqueles

que maqueiam os manequins

e

na falta de luz

sentem que ausências se instalam

e os elevadores descansam

na solidão das escadas




segunda-feira, 23 de novembro de 2009

o que




nós

seres (de) sentidos

sabemos que os cegos (não) escrevem (sobre) a escuridão

sabemos que os surdos (não) falam (sobre) o silêncio

porque (só) conhecem essas faltas

porque (não) as conhecem

porque (não) as temem


(sobre) o que

(não) escrevemos


(sobre) o que

(não) falamos


o que

conhecemos (por inteiro)


o que

(não) tememos




quarta-feira, 18 de novembro de 2009

π




usar carvão (que não aceita aderências de luz – M-A ip se dixit)

para escre

ver


a

trev(id)a

trans


lúcida

trans

(o)cedental


i(r)ra

cio

(a)nal (da)


oceânica

pup

πla




segunda-feira, 16 de novembro de 2009

cidade (trecho de Mandrágoragonia)





t

ermo

elétrica


parque

industrial


these heavy machines

metal

urgia


queima

ideias

s

em

rumo

monit

or(am)

palavras

this light light

tool of

human thought


que

p

o(u)co

em si


n

cio

vale

m

vem do

silí

cio


e-dem


e

a cidade

(e)fême(r)a

(a/ ex)colhe

(nutri)

entes

t

or(n)a

(se)

trans(i)to

rno

de

so

ns li(multi)dões

trans

fume(ce)gante

p

ira

de

violuzcência

cerobras

em

cego

movimento

perpétuo


para


chumbamento

de

ar(r)anha

c

eus

(a tempestade vista de cima

pensa a cidade

neuronúvens disparando

si

nap

ses)


balas perdidas

vendidas

em

se

m

á

foros

da

in

f

i(r)ma ânsia

de

cre(r)s

se

r


































quinta-feira, 5 de novembro de 2009

da gravidade




a morte cega

não porque seja treva

mas porque seja luz

intolerável

espera

(qual esperança)

essa morte que escorre

do centro

onde (apenas lá)

está (flutua)

futura

(além) da gravidade

dos corpos com massa

desta terra pesada

(cosmoclaustro

também ela resto de astro)



sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Primeiro capítulo de "Efeito Vênus", meu romance em progresso




Despertar de um sonho não-REM às cinco da manhã, onirismo cibernético, o quarto envolto numa película de filme noir. Sobre a tábua ondulante das persianas, faróis elétricos cortam a noite em bifes finos sem gordura. Há um chiado de TV fora do ar na madrugada: desespera-se a chuva fria em paredes monumentais, gotas de pixels na tela da janela VGA 65 mil cores, granulosas e artificiais como um efeito digital dos anos 80. O céu não existe, a cidade é vulto, parcial - ainda que seu choro de trânsito exija, em piti desgracioso de filho da classe média, o cartoon vespertino da hora do rush. Em noites como esta há uma melancolia incontável, todo o mundo sabe disso.

Ligo o computador. Apenas uma canção de praia descolorida em tempestade, ondas feras, ruído branco no Mídia Player. Say Hello to Heaven do Temple of the Dog lembra-me o Litoral Norte numa quarta-feira de cinzas, praias, todas até Camburi, passando além da janela do chevett 83 numa vastidão motriz.

Troco o CD. Riders on the Storm incita-me lágrimas virtuais, saudades de todas as minhas meninas.

Troco o CD. We Die Young do Alice in Chains aterroriza: entrar na contra-mão da serra e morrer bem jovem e bem depressivo, antes que a porra da AIDS me leve e eu descubra que não tive tempo para me individuar e me tornar um escritor decente, porque agora aos 25, ante o fracasso ou a pura falta de gênio, invento essa de que um escritor passável tem que chegar ao menos aos 30, tempo mínimo de acúmulo de experiências e leituras; chegando aos 30, é claro, será preciso que chegue aos 35, e assim por diante em complementos de 5, no ritmo da autocomplacência.

No processador de texto, as palavras querem dar à luz o discurso ainda sem título, no trabalho que meu amigo Felipe chamou de textogonia e eu, mais para Camus do que para Hesíodo, de textoagonia. O desespero, sabe, é uma coisa; sob o escárnio de sua mirada, consulta-se até o dicionário em busca de salvação. Ao acaso, o dicionário me diz que Pinacoteca significa Museu de Pintura. De se estranhar, portanto memorável. Posso começar com essa frase: O dicionário diz que Pinacoteca significa Museu de Pintura. Ou posso começar com uma das frases “psicodélicas” dos diários de Bruna, quando a cocaína lhe incitava a autoscopia: Tomo coca, cheiro coca, vejo Cosmococas. Eu também: eu e Eu cheiramos juntos as fileiras da nossa imitação de Oiticica, iconografia: no lugar de Marylin, Pitty; e Cobain, Kurt; Lee, Rita; Pop, Iggy; Calçando Tênis da Nike, Willian (Niked Lunch :-)

O ambiente é sempre uma opção:

Casarão monumental, muros de um branco carcomido pelas traças do Atlântico,

Assim está bem.

quando pequeno eu a chamava de Museu, pois me parecia absurdo que um lugar denominado Pinacoteca abrigasse uma exposição de pinturas e não de estranha e antiga memorabilia, na imaginação composta por objetos repositórios de lembranças com firmeza ilusória de macarrão instantâneo: recorde-as por três minutos e sirva-se um prato de fatos temperados a fantasias românticas, de forma que logo a palavra não dita nos escapa com ímpeto de segredo há muito guardado, e a pessoa amada, que na verdade se foi, se nos atira aos braços em trajetória de bumerangue - movimento que os yogues chamam de karma e que o Ocidente tratou de simplificar na geodésica metafísica do castigo divino.

Ao se tratar de uma pessoa da minha geração, tais objetos ligados a lembranças significativas, itens abundantes na geografia de terrae incognitae da casa de vovô, se constituem principalmente em fitas de vídeo, fotografias, cartas, fitas K-7 e quinquilharias de feira hippie, coleções empoeiradas que os sentimentais raramente sentenciam a um exílio inanimado e escuro de porão - jamais o olhar ressecado por aquela frieza, oculta sob uma ideologia de “O trabalho liberta”, que transforma a mente no seu próprio Auschwitz; indiferença esta abundante em pessoas racionais quando distraidamente perdem seus pais e avós em casas de repouso, insensíveis quanto a estarem submetendo seus parentes a tratamento que, no caso de pessoas tão próximas do fim, equivale a bem medidas e subreptícias doses diárias de gás Zyklon.

Lembrei-me, hoje pela manhã, enquanto se faziam visíveis os primeiros revérberos de mar na minha caminhada, de uma idéia que me ocorrera em sonho (ainda não havia recordado o sonho, apenas a idéia): a felicidade jamais seria minha enquanto houvesse a memória (então recordei o sonho: eu era uma inteligência artificial e despertara sem a minha ROM: papai não havia morrido, maninha não havia morrido, eu não havia brigado com mamãe - havia-me sido concedida uma infância sem asma: sentia-me feliz, mergulhado no Letes.com).

Pois a felicidade, quando surgida da lembrança e não da realidade presente, mostra-se tão abstrata quanto sexo virtual - uma ilusão que se desfaz ao final do gozo. Numa entropia inevitável, até as boas lembranças, quando revistas, se transformam em peças de museu - na qualidade de momentos idos, fazem-se sentir como gente morta, para sempre irrecuperável. Seria esta, talvez, a definição do misterioso cheiro de velhice que persegue a terceira idade com obstinação de flatulência - a de gente que se lembra de fatos que tem a impressão de não ter vivido, mas meramente assistido como a um filme que nos faz chorar.

Tais pensamentos me conduziram da praia aos bem iluminados e frescos cômodos da Pinacoteca Benedito Calixto. Patológico, como se estivesse num labirinto, viro à esquerda, compulsivamente; encontro-a numa saleta qualquer, encaramo-nos por um breve momento.

Maria Helena...

Não me reconhece - a um chamado da amiga, passa indiferente à inspeção de um novo quadro. Ainda assim penso em me apresentar, não cometer outra vez o erro, o mais íntimo do remorso, o erro da omissão.

Maria Helena! Há quanto tempo não nos vemos? Sou eu, Fábio, do Edméia Ladevic...

Mas nada digo, apenas a observo; observo as semelhanças que compartilha com minha filha, ainda que nada encontre de específico nesta que é uma impressão distante, de certo imperceptível em local menos sóbrio do que este casarão colonial, construção vasta onde impera um vácuo de coisas mortas ou meramente desejosas de serem esquecidas.

Por entre a folhagem da minha divagação, com o entusiasmo de efebo que surpreende ninfas ao banho, reencontro as imagens das duas mulheres. Elas riem e gesticulam com intimidade, MH e a amiga de cabelos longos, negros (MH tem cabelos curtos, vermelhos). Deliciado, acompanho o percorrer intermitente e sinuoso dos dois corpos ao redor das telas, uma dança lenta e delicada, conduzida ao som de um ronronar em tons macios e secretos, sutil acasalamento de música e gestos a dar gênese, em meu íntimo, a um clima lírico-sensual que me encanta a ponto de paralisar-me não só os movimentos, mas também os pensamentos, tornando-me apto apenas ao deleite do belo como aqui se apresenta, a meio caminho entre Apolo e Dionísio, perfeito, perdido entre ato e pensamento, como o gesto do artista, preciso e intuitivo, atento ao que inspira a música das musas.

Para minha desilusão, contudo, logo noto do que realmente se trata esse distanciamento gradual e crescente que me arrebata da realidade para o mundo de Eros, essa sensação de estar diminuindo ante as ninfas e os grandes espaços que as abrigam e às pinturas antigas. Asma. Crise. Precipitado no abismo, sinto, assustado, que perco suas imagens... Maria Helena... jamais lhe pude dirigir palavra, conseguiria agora, concretizar na maturidade o sonho do primeiro amor irrealizado?

Uma idéia absurda – absurdamente romantica e inevitável, claro, só penso coisas absurdas e inevitáveis... sempre um por que não, afinal? travestido. Dir-se-ia, talvez, por causa de um consenso do que é possível ou impossível, auto-estima de “essas coisas só acontecem no cinema”? Camisas-de-força. É por isso que as pessoas ao meu redor são pequenas e alienadas num mundinho de LEGO, o qual constroem com tijolos de plástico ideológico arranjado em fileiras de Another Brick on the Wall. Eu deveria me apresentar, isso sim, mesmo ela estando gorda e envelhecida -- já não é a mesma moça encantadora e no entanto linda? desejável? apesar do buço (Mona Lisa de Duchamp), ancas grossas e braços roliços... Ah! mas o amor é cego, impressão de hormônios, bater uma, uma gozada desembaraça a visão, e aí, sem desejo -- lúcido, cara --, você vai começar a enxergar as pelancas, as estrias, as varizes

caminho na direção dela

e se estiver casada? há uma aliança nos dedos? devo agir, pode também ter um namorado, por impulso? Não há homem vigiando, não haverá mal em me apresentar, não parecerá um flerte, mais um passo, não vejo o rosto da amiga de cabelos negros - gosta de retratos? sou desenhista, até hoje guardo um perfil que fiz de você, sejam amantes (ela ruiva, sua mão de esmalte vermelho agredindo a nuca de cabelos negros), tocam-se muito - olhar de gata raivosa - ciúmes (lambe o pescoço dela, a face,) um princípio de, poderia muito bem ser que, ereção (os lábios, uma volúpia)

Parece tão familiar, ouço-a dizer a respeito de um quadro. Acho que conheci alguém assim.

Ao que a amiga responde, exagerada:

Credo! Que arrepio! Parece até déjà vu.

Não me reconheceu há instantes, agora pensa reconhecer as feições defuntas de um retrato qualquer; por certo um truque da memória ou simplesmente alguém dono de um semblante mais marcante que o meu. Também pode se tratar de uma recordação tardia, relacionada ao vislumbre que teve do meu rosto quando nos encontramos; estaria apenas erroneamente projetando o reconhecimento da minha pessoa à figura que se apresenta agora aos seus olhos. Neste caso haverá uma chance de, a uma segunda vista, ela me reconhecer; chance esta que morre nos contornos da figura do quadro agora em meu campo de visão. Não um retrato. Do local de onde eu estivera, enganara-me a moldura de um espelho. Todo o tempo MH estivera observando a si mesma.

Ora! As amigas brincavam! Enganaram-me! É claro que vendo a sua própria imagem, talvez numa referência irônica ao seu excesso de peso, Maria Helena fingiria já ter visto alguém assim - uma moça linda, esguia, de inesquecível elegância. Já meu próprio reflexo, vejo-o magro, pálido; sinto o que às vezes se sente quando a consciência recém desperta, ainda vagante em sonhos, estranha a imagem que a confronta na lâmina fria - não me reconheço; é a crise de asma, toda a vida a me fazer sentir por demais dentro de mim e fora do mundo, sem ar, sem fala, sem futebol, sem sono, sem animal-de-estimação sem bicho-de-pelúcia, solitário eu mesmo e meu corpo minúsculo sob uma pressão atmosférica a nível do mar que me comprimia, jamais me penetrava ou preenchia

Meu nome

qual o meu nome?

Afasto-me. Os retratos à óleo; datas e nomes. A bombinha. Não está no bolso.

Escritor, digo de mim para mim, sou escritor. Tenho 25 anos. Tenho asma. Sete do sete de setenta. Fiz sete anos no dia sete do mês sete de mil novecentos e setenta e sete

Sobrevém o impulso de falar, mas não há ninguém; mas se houvesse, o que eu diria? Escutar-me-iam? E no entanto eu falo, ou penso que falo, inaldível: meu nome é

não me comu

nico, as palavras d e s l i g a d a s de mim; uma impressão de despojamento, como quando se escuta o próprio nome referente a outra pessoa; Fábio! (seria esse meu nome?), e a esse chamado de mãe não respondo eu, responde um menino de boca salivante e pés sujos de areia; aquele é o Felipe; mas esse não era o; seria como que a condição mesma da minha existência e tão poucas vezes m e f a ç o e n t e n d e r

eu

havia dito Lu

te amo

num sussuro envergonhado

e corajoso

não lhe pude

compreender a reação

antes que fosse embora

porém

compreendi

que ela entendera

um apressado

tchau

no lug

ar

de

te amo

te amo--tchau

afigurou se me

um alívio

ela

não escutara

era como

se

eu não houvesse

dito

deixei-a

ir

calado

porque já não

Fábio. Meu nome é

Maria Helena

Inspiro; expiro. Recomponho. Inspiro;

Maria Helena não está aqui. Decerto não longe, na próxima sala, talvez

expiro.

Tão perto, na próxima sala... e no entanto, qualquer distância além do meu corpo um salto sideral, um intransponível metro de gestos e palavras...

Procuro por minha imagem no espelho, pergunto-me se tudo o que me resta é fitar essa carranca de amargura que me confronta obstinada; pergunto-me se só me resta degustar com masoquismo o fato de que assim que Maria Helena deixar o museu, eu jamais a reencontrarei, este que é o maior castigo do homem, a consciência da irreversibilidade das coisas acontecidas.

Sento-me numa cadeira aveludada, a careta de chupar pilha descendo-me das faces para as mãos, dez longos dedos e veias de um sangue que não compreende seu destino de loop enlouquecido, não podendo igualmente saber que a sina daqueles que alimenta também é esta - mas será, ó divindade que não sei se existe? -, repetir os mesmos erros repetir os mesmos erros ad nauseam os mesmos erros... por quê, hein, por quê?

No bolso da camisa cor-de-gelo apanho meu bloco de notas, a caneta BIC vermelha, e começo a escrever, sem pensar no motivo deste gesto, uma nota para meu romance:

encontro-a numa saleta qualquer. Fita-me o rosto, encaramo-nos por um breve momento.

Maria Helena...

Reconhece-me com um breve sorriso.




segunda-feira, 19 de outubro de 2009

so




sol

solua

soluamor


te




sexta-feira, 16 de outubro de 2009

amortecido (trecho de Mandrágoragonia, desformatado pelo Blogger)





sujeito – à sarjeta

merdasujeira

objeto – do olho

corpo morto –

como que eletro(exe)cutado

à pedradas

cachimbo

a arma

(que a

tire

a primeira pedra (a gente

nunca esquece)

entrelaçado nos dedos de osso

pontas negras sem unhas

fios de saliva

pele de

ex

c

amada

ir-se in

dolo

r

ao

epicentro do

horror(i (pronounced eye))r

eal

(a[mor)te]cido

suicídio assassinado

satorinstantanepifania

crackoincidência

ler

num poema

De Michel Deguy

(enquanto e

dito

este poema)

“A pedra será mais bela na parede?”

estartisticamente sim

será co incidência

mas se nem mesmo

a cadência

deste versos

é casual (con

si

dere que ri

tmos a te

rão

ditado)

preifraseei

de mim-para-mim

o verso de Deguy

“A pedra será mais bela no papel?”

o que as palavras

fazem (d)à realidade

o que os si

g

nos

fazem (d)à realidade

porque existe

ou exisitiu

um uni

verso

sem si

g

nos

um mu(n)do

bruto

não

filtrado

incondicionado

o dos objetos

antes do vivo

e a resposta talvez esteja

na vontade do vivo

de voltar à tr

eva

de um ini

verso

vazio

hoje

por 10 reais

consegue-se a pedra filosofal

ao vivo

tetos de vidro

quebram-se

“A nossos leitos angulosos de pedra em pé”

“A nossos leitos de lençóis negros na cidade”




quarta-feira, 14 de outubro de 2009

a ausência da elipse




A redund

ânsia

na poe

si

a tem razão de se

r.

O se

r se mult

i(m)plica no som que e

coa, no se

xo que engra

vida, no te

xto que escrito pode se

r l

ido e repe

tido.

Mas a redund

ânsia só é devi(r)

do à ausênsia da elip

se




quarta-feira, 7 de outubro de 2009

odisséia





u li s se(s) o(u)disse u s




segunda-feira, 5 de outubro de 2009

dentifricio




pasta pós-moderna

branqueia barato os dentes

se você os tem

é c(l)aro




buraco negro




o

buraco

negro

ex-

pode

trela

ter

tudo

e

nada



(in

formar)




quinta-feira, 1 de outubro de 2009

tem(e)




o

eu

tem(e)

o

outro

?




em




o que em porque

o se em sentido

o ou em outro

o signo em si




terça-feira, 29 de setembro de 2009

s




se

(não)

se

i

que

(m)

(não)

so

(u)

(não)

so

(u)

(in)

certo

(de)

que

(m)

(não)

so

u





segunda-feira, 28 de setembro de 2009

(a)os mortos





(o apocalipse)

a morte é inevitável

(de) cada dia

talvez a desejemos

(nos dai) hoje

porque somente aos mortos

(porque) amanhã

podemos dizer tudo

(poderá ser) tarde de mais

e aos padres e psicanalistas


(aos médicos mentimos


por medo da morte


ou por medo da cura?)





prepoemaparadoxoposmoderno





agora

que a felicidade é sua

por mim

através de mim

sinto que será fecunda a culpa

pelos anos tristes

o futuro

sempr’esente

sempre guarda um suicídio

e uma carta que talvez seja escrita

e que

se for

será poesia

e um poema de amor muito pedido

e prometido

porém nunca escrito

que será

se for

(mas será (prometo)

belo embora triste

e

enfim

além do fim

as palavras desses textos

e de outros ainda inimaginados

e aquelas que agora terminam este poema





marulho





o marulho que escuto quando a cidade silencia na madrugada

(hora da poesia)

é para esta mente condicionada o que será para o artista futuro

o barulho do tráfego de carros e do funcionamento d’out(r)as máquinas

(uma tal de nostalgia do útero)


quanto ao que encombrirá estes sons durante o dia

(pois

continuando a imagem

só audíveis ao artista

contra o nada da madrugada)

penso quantas vezes chamei meu filho

antes que ele tirasse os olhos da tela e me desse ouvidos





deserto





re-ssus-citar versos
no deserto

onde
--grão entre grãos--
deserto


)sobre dunas mira-se miragens(



quando me encontro no deserto

o deserto se perde






confusão





e apesar da morte

palavras

esta urgência do vivo

que é multiplicar

se

s

que é perdurar

perdurar

ok

mas por quê

se não se pressupõe o tempo como essência

então só há o que há

e tudo vale tudo

ou nada

apenas por si

ou melhor

apenas por ser

por existir

e fazer ou escrever

seja lá o que for

literatura

obituários

cartas de amor

vale o mesmo

(tudo ou nada)

apenas mais ou menos

quando visto em contexto

considere este texto

assim

perdido num blog ou num sebo

há nele um sentimento ou conceito

que talvez só existam em seus olhos

ou em minhas lembranças

ou

mais provável

que apenas sejam quando nossas dú

vidas se con

fundem

num breve beijo de lingua

gem






domingo, 6 de setembro de 2009

informe

se

r

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

texto genético




embora traços,

os de fisionomia

pertencem a um tempo,

não a um espaço.


as longas linhas

dos rostos de um Joyce,

de um Pessoa,

de um Drummont,

coletivas (comum biotipo),

não poderiam ser minhas.


riam no passado, gente finda,

que eu choro no presente,

e no torto do choro

enxergo diferente os versos

que vocês escreveram certo

e escrevo eu do meu jeito,

sem jeito,

incerto o incesto

de nossa orgia estética.




segunda-feira, 10 de agosto de 2009

beckett





a ausência de beckett




quarta-feira, 24 de junho de 2009

próprio




o

si

pr ópio




esmo




o

se r

en contra se

em si

me es mo?




segunda-feira, 18 de maio de 2009

sobre o pó (versão polifônica, por Fábio Romeiro e Pedro Du Bois)




do pó ao po
eta

per
      vers

a               o
        poe
sia             ma




sobre o pó




do pó ao po

eta

per

verso

poema




segunda-feira, 11 de maio de 2009

olhos




tirando os olhos

resta o rosto


édipo



sexta-feira, 8 de maio de 2009

stiges (transcriado por Fábio Gullo)




light

preceding voice

burns

preceding noise

hurts

pregnant of dark that isn’t

(in the poem)

 

headlamp high-beam

watts of power

lucidity

craziness

haughtiness despite the vomit in the sides of the mouth (that

sing)

and traces of faeces (that

stink)

and remains of semen (that

moan)

and ve

stiges of words (that

sa(i)d

scr(e)am




segunda-feira, 4 de maio de 2009

nas palavras em jorro




nas palavras em jorro,

aquela noite, aquela tarde,

aquela luz em seu rosto, aquele

tom em cor sumário, som, odor,

solidão marulhar de farol entrevisto:

ondas feras, chuva na janela:

vastidão de lembrança em

fuga ou esquecimento avizinho,

vazante em sentir-se ser

na selva insalubre (saber à saliva

de bicho) mais que cipó em

quanto emaranhamento amoroso

vaza constante no mundo à frente

obscuro sempre: há algo além,

algo a dizer em poucas

ou muitas

palavras, prostitutas baratas,

pernas arreganhadas e gemidos

de vapor pressurizado – a despeito

de temporário auto-imposto

exílio no spa

vimiento de la materia –

no forno De Sartre,

descobrir se querer é poder

se foder

se tudo é em função do fim,

doar ou vender um rim,

rir é de graça, ninguém paga

ninguém para ser

feliz,

quando muito paga-se por sexo e sossego,

TV a cabo e canal pornô, voyeurismo 24h,

fantasia e 5 x 1, na mente tudo

(não mero idealismo ingênuo,

apenas de deixá-la pensar)

e mais nada.




stígios




luz

antes da voz

queima

antes do alarde

arde

prenha da treva que não é

(no poema)

 

farol alto

watts de potência

lucidez

demência

altivez apesar do vômito nos cantos da boca (que

canta)

e traços de fezes (que

fede)

e restos de porra (que

geme)

e ve

stígios de palavras (que

f

aladas

som

em




terça-feira, 28 de abril de 2009

contudo




quis ser

                               por um momento

apenas ser

                               por um instante

com o mundo

uno

uno

com tudo

 

agora

quero ser

apenas

ser

se possível

só em si

g

nos







quinta-feira, 23 de abril de 2009

de




não início senão no v

                                                                               ir

 

o que está por vir esta

                                              

 

o que veio

se foi

 

se

                                              

 

passado ontem

                eu

aqui presente

                outro

                (dia)

esperando

(pensando

pesando)

o                            

(dever)

       de

          v

                                               ir




segunda-feira, 20 de abril de 2009

homo álibis




ho

me

m

 

bi

xo

 

faz

e

dor




quarta-feira, 15 de abril de 2009

peripatético




eu vago




ra





seu se

eu ou

outro

ra

me

u




verter





caos

 

in

verter

ordem




quarta-feira, 8 de abril de 2009

TO BE




DO       SE                    R

AO       FAZ      E        R

   O      FA                                TO

   O        A                                TO

   A      FA         L                     TA

   A                    L

            FA

                                                 TO       BE

                                                 TA




CECÍLIA



ci-       

ci-

                 o                                                                 s                                        h

                                                                            z                  a                  n                   o

                                  d                                a                               r

                                      e                      p                                           i

 

                                               n

                                               o

 

                                                silo

 

                                                 se

 

E                  X                 P               L                 O             D            E

 

                                      Ce-

 

                                                  ci-

 

                                              li

                                   a

                                                                       n

                                                                                              o

p

ar

                                               q

                                                           u

i

                        n

                                                                       h

                                                                                              o

v

                                                ê

o

 

                             bRiLhO

 

terça-feira, 7 de abril de 2009

trio Eros—Euterpe--Ares





musa

muda

teu repertório

ruído

   de rio

é som ou

ruído

   de rato

é som ou

ruído

   de rua

é som ou

ruído

   de guerra

é som ou

ruína




supletivo de poesia




matrículas:

30 de fevereiro

início das aulas:

1° de abril




erro




gu

erra

contra

as

drogas

gu

erra

contra

o

narcotráfico

gu

erra

contra

o

t

erro

r




cer




apare


permane

 

                                         cer

 

cres


pere

 

ser

       ou

                pare




segunda-feira, 6 de abril de 2009

SENOS




sen

s

ações

sen

ti

me

ntos

 

so

m

o

dor

luz

text

ura

sab

or

 

in

ou

e

(x)

ter

nos

si

g

nos




sexta-feira, 3 de abril de 2009

ar

BUS K





dedicado a Kafka



buscamos tanto que

vai ver

já até encontramos








quinta-feira, 2 de abril de 2009

dicotomia

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Janelas




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man made




num círculo, raios girando sempre;

embora parem uma hora,

números apontam ponteiros, em pergunta:

o tempo passa segundo a segundo

ou segundo o relógio?



quinta-feira, 26 de março de 2009

poema pílula




Enquanto nos afogamos, elas descrevem a água.
Luis Felipe Pondé, Sonambulismo e Psicologia da Religião

para Derrida 


ciência e poesia
placebo e aspirina
para excesso de aporia



segunda-feira, 23 de março de 2009

vertical





a  n  d  a  r     d  e     p  r  é  d  i  o
n
d
a
r

d
e

h
o
m
e
m




singularidade nua



para Emily e Stephen


cor e desenho

odor sem pudor

que dor sentiria

o ser que tivesse

a raridade de tê-la

em sua realidade de flor

 

horrorosa beleza

rigorosa essência

 

a rosa

rosa

 

o rosa

rosa




se




tudo tem 

sua razão de 

se



terça-feira, 17 de março de 2009

rosa




rosa rigor 

da rosa

horrorosa beleza




sexta-feira, 13 de março de 2009

ar




toc

ar

               

a

               

                                c

ar

     

     ne



                


no




eco

no

si

(lê

n

       cio)




ver



na           luz

                vi

                               ver

  a                           es

                               cu

                               ri

                               dão        



quinta-feira, 12 de março de 2009

sexta-feira, 6 de março de 2009

Quarto Poema Negro: Eterna Tristeza




quis escrever um poema

que despertasse em ti a eterna tristeza

quis escrever um poema

que representasse para ti a eterna tristeza

quis escrever um poema

que fosse em si a eterna tristeza

 

acho que não consegui

mas não tem problema

 

talvez, todos os poemas




Terceiro Poema Negro: Arremedos do Nada



para Márcio-André




nossos medos

escuridão

solidão

silêncio

causam dor

não desespero

quando se tem por companhia

a imperecível poesia

 

velhos medos

coletivos

míticos

negativos

nada mais são

que formas de nada

e nada representam

a não ser o fim

sem recomeço

 

estes medos

o nada

a que aspira

o  tudo

da poescatologia

 

todo verso

um suicídio

e um renascer

em signos




quinta-feira, 5 de março de 2009

Primeiro Poema Negro



mover esferas

cosmoclaustro de astros

onde letras caem como átomos de Lucrécio

em tempos e lugares indeterminados

 

crer no poder da palavra

emprenhar e dar à treva

olhar as estrelas

orar por má influência





quarta-feira, 4 de março de 2009



No mundo moderno o poetátomo em con-fissão nuclestética



suo



o q   ue

pos

suo

sou  eu

o q    ue

ten

ho

é

tu

d

 

o




REALL





SUR-


REALL


SE


REALL


NA-TU-R-ALL-MENTE


ARTE-FIC-SI-ANALL 


NO ME




EU     TU

TE     ME

IN     NO

TI     ME

TU    I

LO    AS



sempre




futuro              presente          passado                          

sempre            sempre            sempre

à frente           ausente            presente 

 

futuro              presente          passado

à frente           ausente            presente

sempre            sempre            sempre

 

sempre            sempre            sempre

futuro              presente          passado

à frente           ausente            presente

 

sempre            sempre            sempre

à frente           ausente            presente 

futuro              presente          passado

 

à frente           ausente            presente

futuro              presente          passado

sempre            sempre            sempre

 

à frente           ausente            presente

sempre            sempre            sempre

futuro              presente          passado



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009



ÓCOSMOAGONIA




DISTÂNSIA


três palavrões da valise Carrol--Joyce--Camuniana



AMORTE


poema para que(das)



página em branco

tinta materializa pensamento

borra quando toca

 

quanta e qual qualidade de informação numa imagem

ou só simples photographia (mero estímulo) não novo

estilo pousar fragmentos ou fantasmagorias surrealistas

quão importante saber se isto (estilo) é

importante (ou se existe, e se sim, de qual ponto

de vista [relativismo estético]) quão velho

pe(n)sar a possibilidade (balança quântica probabilística:

qual sua medida: quanta) do novo (originalidade, se houver, vale

ouro e será considerada muito original) ou prosa

impessoal dissertativa discursiva objetiva (não redundante, i. é.,

não repetitiva, não enfática [discurso para a elite intelectual])

didática (discurso pro povo)

sintaxe ortographia semântica

entendimento ([p]onto)lógico (lógico) ou intuição de intenções (de

comunicação) tortuosas (pre[tenções])

texto ou tesseract

narrativa ou abstração

verso ou constelação

silogismo ou rizoma

recriação ou representação

apolo ou dionísio

hybris ou equilíbrio

monólogo ou diálogo

perguntar é preciso

poesia

para que

tudo isso



o que está pensando



o que está pensando

nada

nunca é nada, sempre é alguma coisa

os pensamentos nunca e sempre

são só palavras



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

CON SEN TIDO



nada é contido

tudo  é sentido

 

nada é (contido

tudo  é) sentido

 

(nada é con)tido

(tudo  é sen)tido

 

nada é (con)tido

tudo  é (sen)tido

 

nada é contido

tudo  é  sentido

 

nada é contido

tudo  é sentido

 

nada é con(tido

tudo  é) sentido

 

 

  

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

verso



n(   ) p(   )ema

(   ) dit(   )

pel(   ) não dit(   )

e vice-(



terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

VARAL




PALAVRASÃOENSINADAS

COISASÃOENSIMESMADAS

POEMAMBIVALÊNCIA

VARALPARAPALAVRAS



Decl)amar


dedicado à Paty



te quero


eu tb


tem certeza


n sei


espera


o q


há algo q quero dizer


está bem


o toque


n te toquei


quando tocar


talvez n haja o toque


mas a pele


apenas querer


tenho medo


sua voz falha


eu pouco falo


eu o escutaria toda a noite


detesto falar sozinho


então um diálogo


até o raiar do dia


uma conversa íntima


todas as conversas são íntimas


verso e rima


poesia



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009



time:

ties

me





time:

tears

dry





infinito:

um menino

joga bola





melancolia da imprecisão



poe

si

a

 

ela

b

orada

 

me

lanco

li

a

 

da

 

in

pre

cisão



a beleza do poema



a beleza

do poema

está

em

todas

as

p-

artes



nós



para

nós

in)trincados

com)plexos

uma

po)ética

dos

par)ente(se)s



terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

onde a luz não está



onde a luz não está,

estarão os olhos?

 

estranho:

ondas

ou

pontos,

aqui

ou

ali,

onde estarei,

o que enxergo?

 

serei cego?

endosso

ou nego

o fim de

um ser,

estar,

existir,

somente de

mim para

mim?

 

quero o

outro

-- espero

--, este inseto

de quem

tenho nojo

e cuja

existência

é-me

incerteza?

 

disto estou 

certo:

haverá um

fim;

que o

outro,

se quiser

-- concreto 

ou reflexo,

ele me-smo

ou

parte 

de

mim –,

fique em

nossa

desilusão

de simplesmente

existir.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

a indiferente precisão da linguagem

para Ilya Prigogine


são apenas sinapses que caminham

além da lente de olhos

pessoas que penetram meus pensamentos

e eu que as penso luz

mas o serão realmente?

se se encontram se tocam e se falam

que importa a precisão de onde quando como ou porquê?

importa que se dá de algum modo

é o que se pode dizer

e penso com irrelevância

talvez

que o sol se consome para que este poema

relevante porém

em toda sua diferença

simplesmente aconteça



quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Cinza




você pode escolher se a tarde está vazia;

 

ela jamais o está por inteiro.

 

embora seus sons tendam 

ao silêncio 

sensível, dentro de ti ela ressoa em secreta apatia,

fértil forma de um nada

que é a fonte comum e sem fim

de todo sentimento.

 

se chovesse seria fácil:

falaria do frio e a tudo estenderia a neutralidade do cinza.

 

mas,

qual ser divino,

o sol se faz e torna difícil 

ficar  

e lembrar 

em palavras este leve sentimento de sempre,

que assim,

involuntariamente,

alonga estas linhas no quase vazio de uma tarde em que não há totais escolhas, 

quando muito, 

o sonhado estio de toda a existência.




quinta-feira, 6 de novembro de 2008

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

SE-R

sexta-feira, 15 de agosto de 2008