quinta-feira, 25 de novembro de 2010

revolted note against Facebook’s Falsepooets



Ce que le public te repproche, cultive-le, c'est toi
Jean Cocteau





What´s on my mind? the unspeakable difficulty of literature, the belief that one should only publish what has value, that is, very little (so if I myself publish anything at all, that will be with / by uncertainty and/or weakness and/or deep remorse), the will, however temporary, of disabling blog and social networks in order to avoid falling into the temptation of easy attention and make of myself a media whore or a poor clown... It’s not lost on me that there are “out there” those who know how to use the digital miracle sparingly, but outside these, I think that poets, by their divine gift, simply DO NOT HAVE THE RIGHT to “virtually” spend entire days at the social-digital, in the mere social (in endless events, endless interviews, endless outreach activities...) or mere-anything when they should be sweating over the keyboard to create a work and thus justify their gift and (their) the (own) existence... and I do not apologize if I offended anyone: you can break with me and screw yourselves, since you matter less than a worn out graphite edge, less even than the Facebook’s authentics, that is, all the non-poets who can, with at least some right, lost themselves in the luxo/lixo (reference to Augusto de Campos’ concrete poem, that would translate somewhat as luxury/trash, with loss of the paronomasia) of a easy and nice idleness…that they regenerate, the offended, and, being unable to be great and original, at least be authentic (Auden)…

P.S.: Will I have lost with this note some important "contacts" to my future as a poet? Maybe the inauthentic... But the point is that poets have no future, only the present of the work, which need not be printed not even need more than a handful of readers (maybe none at all) to justify itself.



quarta-feira, 24 de novembro de 2010

nota revoltada contra os falsos poetas do facebook

Ce que le public te repproche, cultive-le, c'est toi
Jean Cocteau

Aquilo que o público vaia, cultive-o, é você
tradução de Augusto de Campos

VIVA VAIA
intradução de Augusto de Campos


Segue a nota que publiquei há pouco no Facebook:





no que estou a pensar? na indizível dificuldade da literatura, na crença de que só se deve publicar o que tem valor, isto é, muitíssimo pouco (por isso, se eu mesmo publicar algo, será com/por incerteza e/ou fraqueza e/ou grande remorso), na vontade, talvez passageira, de desativar blog e redes sociais para não cair na tentação da atenção fácil e me tornar uma puta ou um vil palhaço... sei que tem quem saiba usar o milagre digital com parcimônia, mas fora estes, penso que poetas, por seu dom divino, simplesmente NÃO TÊM O DIREITO de passar "virtualmente" dias inteiros no social-digital, no mero social (em eventos sem fim, entrevistas sem fim, atividades de divulgação sem fim...) ou no mero-qualquer-coisa quando deveriam estar suando sobre o teclado para criar (um)a obra e assim justificar seu dom e (su)a (própria) existência... e não peço desculpas se ofendo alguém: podem ficar de mal e que se danem, já que importam menos que uma ponta de grafite gasta, menos até que os autênticos do Facebook, isto é, todos os não poetas que podem, com ao menos algum direito, se dar ao luxo/lixo de um ócio fácil e agradável... que se regenerem, os ofendidos, e, na impossibilidade de serem grandes e originais, que ao menos sejam autênticos (Auden)...


P.S.: Terei perdido com esta nota algum "contato" importante para meu futuro como poeta? Talvez os não autênticos... Mas o ponto é que poetas não tem futuro, só o presente da obra, que não precisa ser impressa nem sequer ter mais do que um punhado de leitores para se justificar.



terça-feira, 23 de novembro de 2010

sede


……………………………

……………………………

findo o choque das carnes

resta sangue e suor

ainda que rosa e brilho

nos lábios mordidos



segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Cidade aTravessa 8, celebração da poesia em Sampa

Aconteceu na Casa das Rosas, Sampa, dia 19 passado: minha primeira leitura pública, para uma platéia espetacular (E. M. de Castro e Melo, um Márcio-André digitalizado [direto de Portugal via teleconferência), Victor Paes, Ronaldo Ferrito, Ademir Demarchi, Pipol, Flávio Viegas Amoreira, Fabiano Calixto...).

O evento foi belíssimo, e contou com leituras e performances interessantíssimas (destaque para a fantástica performance de Marcelo Ariel, que certamente provocou o primeiro incêndio de guarda-chuva da história da Casa das Rosas, provavelmente da Avenida Paulista, quem sabe de São Paulo...).

Se eu já estava nervoso, fiquei ainda mais quando inesperadamente Márcio-André me convocou para abrir o evento com minha leitura, que, embora curta, trancorreu sem problemas. Graças a essa participação antecipada, meu brother Pérsio, que me acompanhava, não teve tempo de operar a máquina fotográfica, o que me levou a roubar as seguintes fotos do álbum do Facebook de Edson Bueno de Camargo e do Blog Radioativo de Márcio-André:



Eu confundindo microfone com instrumento de sopro


Victo Paes invocando La Fée Vert



Márcio-Virtual-André


Platéia extraordinaire 


Performance de Marcelo Ariel, antes do incêndio


Performance de Lúcia Rosa


Leitura de Pipol


E. M. de Castro e Melo, figura simpatissíssima

sábado, 20 de novembro de 2010

pichação












cacos




cacos

caos de espelho


o fragmento fascina

pelo (p)o(u)co que contém:

aquilo que imagina

a nós

imaginando-o


cães latem

para a própria imagem


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Cidade aTravessa 8

Pessoal, Cidade aTravessa de encerramento de ano (e década), em Sampa, Casa das Rosas. Muita gente e poesia interessantes, também estarei lá, fazendo uma leitura. Quem puder, compareça!


sábado, 13 de novembro de 2010

vida loka




enquanto velhos transformam o fim em filas

mortoboys

é nóis

desmaterializam-se em atrito

incandescentes


cela-canto





poetas

peixes pré-históricos

praias remotas


à noite

luas de estátuas

gatos

olhos antigos

a antiga cidade dos telhados


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

estrondam (trecho inédito de mandrágoragonia)





estrondam

th

trovões

under

xamante

rra


rra

men

ta

rma

na tundra

ma

nadas

de

ma

                        mutes

re

tumba

m

percus(ã)o

para

sacrofício

somgue

hit

ual

áugures

tabu

a

p

onte(m)

ent(r)

em

pos


supernova






ouro

outrora estrela


outro

minério de mim

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

como navios

desejos desembocam no horizonte

mas nuvens

conhecem tudo entre o céu e a terra:

a eternidade dos gatos que desfaz infâncias…

os sonhos negros dos velhos

que consentem as cores às roupas dos jovens…

a solidão

que é cegueira e surdez

(somente casais escutam o oceano)

este meu desejo e de outros tantos:

que ela fosse eterna ou feita de alumínio


Leitura de um poema de Haroldo de Campos escrito por Márcio-André





     Neste texto eu gostaria de compartilhar uma experiência de leitura incomum. Trata-se de uma leitura do poema 1984: ano 1, era de Orwell, de Haroldo de Campos. Eis o poema:

enquanto os mortais
aceleram urânio
a borboleta
por um dia imortal
elabora seu vôo ciclâmen

     Não procurarei, por ora, as causas exatas (isto é, estilísticas, imagéticas, entre outras) desta minha experiência, mas o fato foi que, ao percorrer estas poucas linhas, tive a sensação estranhíssima de estar lendo um texto do poeta Márcio-André, e não o poema, que eu já conhecia e relera inúmeras vezes, de Haroldo de Campos.
     Mais estranho: não me pareceu este um dos melhores textos do poeta carioca. Era como se Haroldo de Campos, neste exemplo particularíssimo de sua multifária obra e estilística, tivesse previsto ou imitado a obra que apenas Márcio-André realizaria plenamente, gerações depois, ligando ao seu nome a expressão estética máxima daquele modo de fazer poético que eu descreveria, muito resumidamente e grosso modo, como a (des)construção cíclica de objetos, experiências e mundos a partir do mais peculiar e potente modo de se conjugar imagens, ideias e palavras (como coisas em si, a la Mallarmé e concretos) de que se tem notícia neste nosso início de século.
     Vejamos, a título de aproximação e exemplo para o leitor que desconhece a obra do poeta radioativo, o poema O Reflexo, extraído do livro Intradoxos:

um mar modula nuvens de metal

na areia-lâmina o homem
ghia o reflexo de uma bicicleta pelo céu

o olho-vagem de um felino
retém o escheleto de uma árvore
rachaduras em sua retina

a lua é uma pedra de carne seca
encuanto o próprio carvão não aceita aderências de luz

um ângulo mais agudo – o avesso
o lado oco da morte

     Vejamos agora, em zoom in imagético, trecho do poema Mecanismos, do mesmo livro:

a]        butter-flyes
– a lacustre-asa-jóia –
           na faca
           do capim-navalha

           vegetal-água a
           fatias de papel manteiga

b]        a borboleta reflete-se em asas

     Interessa-nos o trecho – por si só um poema completo – como um todo, mas atentemos a princípio para a preciosidade e beleza sublimes da metáfora “a lacustre-asa-jóia”; para o que eu chamaria de símile ideogrâmico, “fatias de papel manteiga”, cujo mecanismo de base seria a elipse; finalmente para o último verso, inegável pedra-de-toque, para usar um termo caro a Haroldo.
     De lado a sugestão de uma leitura comparada dos textos citados, retorno à minha estranha leitura do primeiro deles. De imediato notei que experimentava um modo de interpretação descrito por Harold Bloom em seu famoso e controverso A Angústia da Influência. Gosto muito de Bloom e me identifico com sua paixão pelas letras, mas como quase todo mundo, tenho minhas discordâncias com o bardólatra, o que não vem ao caso. Importa eu ter experimentado justamente a mais incomum e inacreditável das proporções revisionárias de sua teoria da poesia, aquela que ele denomina apophrades, ou retorno dos mortos, e explica da seguinte maneira:

A apophrades, os dias tristes ou desafortunados nos quais os mortos voltam a habitar suas antigas casas, ocorre aos poetas mais fortes, mas com os muito mais fortes dá-se um grande e final movimento revisionário, que purifica até mesmo esse último influxo… Pois todos eles conseguem um estilo que capta e curiosamente retém prioridade sobre seus precursores, de modo que se subverte a tirania do tempo, e pode-se acreditar, por momentos de pasmo, que estão sendo imitados por seus ancestrais.

     A frase “por momentos de pasmo” resume à perfeição o que senti durante esta minha leitura do poema 1984: ano 1, era de Orwell, de Márcio-André.


a máquina de subentendidos



tênis feito de chi

(made in china)

um laço

uma criança mumificada em cardaços


dominado o espaço físico

engolido o sapo da incapacidade de se explorar o espaço sideral

inventou-se o espaço virtual

sob desmedida

absolutamente dom(in)ável


subentende-se a máquina


subentende-se a miséria


subentende-se a corrupção


subentende-se a vaidade


subentende-se a ambição


subentende-se a ideia de que tudo é subentendido

subentende-se o subentendido (mesmo que) propriamente dito 


sábado, 6 de novembro de 2010

AC/DC




branco

buraco

negro

resistência

a luz

imaginária

o calor

água quente às custas de estrelas

morte ao toque

sujeira

o sabonete

humano

mais

que o humano

não forma de-

formas

neo(n)criaturas

arlequins holográficos

bruxas de pixe

ls

frankeinteins de concreto

nenhuma alternativa

para a corrente contínua

morte não

pelo fogo nem

pela água mas

por afogamento


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