sábado, 25 de junho de 2011

império da palavra (im)pura (poema—bomba-braille—partitura; concepção artística da tese da poesia extática, a ser escrita)

..
..

a palavra lida
é palavra conta(mina)da
com pólvora sígnica

pena (poema) é não sabermos mais
tocar essa lavra cí(ê)nica
..
..

Wild Ride

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a Frank Frazetta, in memoriam




                                      enquanto a perna aponta

                                                                                              seta
                                  a penumbra passageira
                        raia o sol sob as patas
                           oculto como está 
                  'trás das águas

...                  

quinta-feira, 16 de junho de 2011

"cálculos pontuais"

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...

Cada sinal cuidadosamente evitado é uma reverência feita pela escrita ao som que ela sufoca.
Theodor W. Adorno, Sinais de Pontuação


?
, + . = ;
. + . = :
:  + . = ...   
- + - = –
( + ) = ( x )
– - - = -
; - , = ,
... - . = :
: - . = .
!
...

Um belo poema de Gonçalo M. Tavares

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Não é útil às borboletas aproximarem-se das batalhas; afastam-se,
pois, e tornam-se ainda mais belas porque são vistas de longe.
Se fores tocado por um animal perfeito, é porque desertaste.

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

selenitas

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mesmo antes
de Willians Anders
poetas já sabiam
que a Terra nascia
todos os dias
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domingo, 12 de junho de 2011

carta aos filósofos distraídos

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artistas vivem no horizonte
e são feitos de abismos,
essa escuridão que pulsa,
pulsa como um coração
de dentes e diz:
mudez é nudez da emoção:
algo esfria no íntimo e cala
perante o sorriso da solidão;
olhares vazam o nada de dentro 
para ver o nada de fora,
quando cegos comem peixes
e assim a si mesmos,
estando como estão na treva
como aqueles n’água,
espaço onde nadam como se
nada em nada;
todavia, mesmo videntes,
se não forem artistas,
ignoram que corpos sem vida
dão mais medo ao meio dia,  
o sofrimento a origem de todo medo,
embora temamos a morte mesmo
ela sendo o fim de todo tormento –
um problema insignificante para você
(somente filósofos distraídos leem
poesia), mas, por insondável,
grave como um buraco negro maciço
para um filósofo concentrado, o fato
de leões marinhos, em toda uma vida,
jamais molharem suas belas jubas,
coisa terrível! pense nisso com carinho
e não morra enquanto isso.
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segunda-feira, 6 de junho de 2011

bemdito

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só o poema
enquanto conversa
conserva
e multimplica
bemdito
...
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versívoro

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mudo
testemunho
dizemos a quietude
de ser na luz
mais
de ser ainda
na sombra
escrevemos
viva
ó
viva
semp
terna
pergunta
por que é preciso sofrer
para descobrir
provisório
por quê

versívoro
ser
não sendo
criar salva
do desespero
cria(-se) em
desespero
cria(-se) do
desespero
lamenta a
lentidão da
luz
tua mãe lacrimeja
antes que tu vejas
depois da morte
não poderás mais criar
desculpas para a culpa
de ter nascido só uma
vez
verseja
...
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domingo, 5 de junho de 2011

Fatos, poema de Pedro Du Bois

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Rarefeito em esperas
apresso o fato: pelas esquinas
ventiladores espalham efeitos
em papéis de balas

(descumpro a promessa do encontro
       e me encastelo em nobre causa)

     avanço o instante
     e me deparo em retorno
    
                   fujo ao contato

(desarrumo os papéis sobre a mesa
 e me instalo: a campainha
 toca ao recado).
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sábado, 4 de junho de 2011

comunhão

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porque
por quê
por quem
cada bala
carregada
numa arma
é já augúrio
carregado
na carne 
hóstia
que (des)
mancha (n)
a boca
...
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e isso é tudo

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para Ilya Prigogine e Carl Sagan



depois de 700.000 anos
matéria
e
energia
se separaram.

mamãe morreu,
papai morreu,
maninha morreu,
muitos anos-luz depois.
mas não há pessoas mortas,
só corpos em decomposição –
todos depois dos 30;

tampouco há pessoas vivas,
uma vez que a ideia de vida vale
apenas em contraste com a de morte;
o que há são estruturas autogerativas,
milagres autoalomitopoiéticos,
composições do caos capazes de imaginar
vida, morte, amor e outros dragões no Éden,
e isso é tudo.

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

erosfera

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pêlos
elos
entre corpo e espaço
(derme de deus)
o tato ex(im)pl
orando Eros
ex
pele
o(nto)lo(r)gias de
poros-abismos
o toque tocando
a canção primitiva
do enigmagma
de suor escuridão
e óleo entre estr
                                 elas
                                 e       p
                                 eles  
...
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