terça-feira, 9 de dezembro de 2008

a indiferente precisão da linguagem

para Ilya Prigogine


são apenas sinapses que caminham

além da lente de olhos

pessoas que penetram meus pensamentos

e eu que as penso luz

mas o serão realmente?

se se encontram se tocam e se falam

que importa a precisão de onde quando como ou porquê?

importa que se dá de algum modo

é o que se pode dizer

e penso com irrelevância

talvez

que o sol se consome para que este poema

relevante porém

em toda sua diferença

simplesmente aconteça



quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Cinza




você pode escolher se a tarde está vazia;

 

ela jamais o está por inteiro.

 

embora seus sons tendam 

ao silêncio 

sensível, dentro de ti ela ressoa em secreta apatia,

fértil forma de um nada

que é a fonte comum e sem fim

de todo sentimento.

 

se chovesse seria fácil:

falaria do frio e a tudo estenderia a neutralidade do cinza.

 

mas,

qual ser divino,

o sol se faz e torna difícil 

ficar  

e lembrar 

em palavras este leve sentimento de sempre,

que assim,

involuntariamente,

alonga estas linhas no quase vazio de uma tarde em que não há totais escolhas, 

quando muito, 

o sonhado estio de toda a existência.




segunda-feira, 4 de agosto de 2008

( )


o ser

quando

ser-

(não)ve

a (si)

com si em si a-

vista

out-

ro

se(r)

s-

e(u)

ex nihilo

o líquido as

(su)

me

a forma do recipi

ente

o recipi

ente

é vaz(i)o

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

vôo

maça-de-mira n’alça-de-mira

miro o pica-pau entremeado em folhagem

gordas jacas balançam pendentes

pouco ou nenhum negrume no vale

vulto—motriz—rente—movente

cartoonish entanto calmo, silente

maça-de-mira n’alça-de-mira

lá!

bang!

vê!

cade?nte

NAUVALHA

corta

nauvalha

singra

o oceamundo


empalidece

limpa

a face

na fina

manhã

final

finita


corta

nauvalha

sangra

a pele

da minha

fria

poesia

MONITORES

Related Posts with Thumbnails