
este ar
a(r)mado
por (n)aves
(de guerra)
este mar
marcado
por barcos
(de guerra)
esta terra
enterrada
a sete palmos
(de carne e concreto)

então o espaço se colocou em movimento
fez-se luz calor e todas as qualidades de matéria
e do átomo primeiro a esta mente última
– acidentes na topologia do espaço
(grão de areia ante a grandeza de uma estrela) –
entre astros e pequenas densidades vivas
fez-se melhor nos movimentos do pensamento
e como registro no espaço da língua
eu descanso vigiando nuvens
do ônibus uma moça sentada no meio-fio
nas mãos um livro
escuto Enjoy the Silence
gotas na janela: chuva num bairro, sol no outro
tudo isso dá um prazer sereno
mas no final foda mesmo são as intensidades
so
terrado por objetos
(feng-shui de barraco)
ofuscado
sufocado
(luz incandescente,
ar) condicionado
Iludido (ilusões são formas de verdade)
por raios refundidos em feixe no forno das lentes
(de contato)
há sempre uma película
um filtro (de photoshop)
uma mixagem (de protools)
novas imagens construídas pela máquina engenheira tecnologia
novas sensibilidades
novas verdades
(não existem mentiras)
que tornam o visceral natural
(banho de mar
sexo sem camisinha)
cada vez mais apático
cada vez mais experiência para seres de carne osso miséria
pobres
poetas