quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

sos




enquanto o mar sereia-me

busco a bala perdida de um verso

que fulmine indiscriminadamente

– sacrifício discreto –

e traga-me de um surdo o alívio da vigília

de um cego o escuro dos sonhos



compor com necessidade binária

– crer em variações –

é função matemática, matéria de máquinas;

nós que somos nós

acreditamos em invenções

no que estamos sós




quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

açougue de signos




nada existe

neste açougue de signos

de mais real

que a carne


a poesia mesma

– plena ainda de comparações –

é vista como

peça de primeira

digna sim

mas de esquartejamento e reasemblage

em embutidos e salsiccias

cujos ingredientes levam de tudo

dizem até que

– pasmem –

palavras


quanto à morte da poesia

perguntar ao legista




terça-feira, 8 de dezembro de 2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

o pescador e o anzol




à beira do pier

o pescador lança o anzol

rasga-me porque não sou como si

mas lava-me o sol



sexta-feira, 27 de novembro de 2009

share no bill




foi à luz do fogão

difundia

que o ato se consumou

consumindo gás e inocência

(à guisa de radiação

não havia energia)


o que restou da carne

deu para matar a fome

e a sede

contraponto

com água gelada

como de cães

o coito na madrugada







embora os olhos

é a boca que a

trai






terça-feira, 24 de novembro de 2009

prótese









desmontável

protético

impenetrável

o manequim

não pode ser

particula

rizado

(plástico é

plástico)



melhores ventríloquos

a TV e o rádio

fazem companhia àqueles

que maqueiam os manequins

e

na falta de luz

sentem que ausências se instalam

e os elevadores descansam

na solidão das escadas



segunda-feira, 23 de novembro de 2009

o que




nós

seres (de) sentidos

sabemos que os cegos (não) escrevem (sobre) a escuridão

sabemos que os surdos (não) falam (sobre) o silêncio

porque (só) conhecem essas faltas

porque (não) as conhecem

porque (não) as temem


(sobre) o que

(não) escrevemos


(sobre) o que

(não) falamos


o que

conhecemos (por inteiro)


o que

(não) tememos




quarta-feira, 18 de novembro de 2009

π







usar carvão
para escre
ver

a
trev(id)a
trans

lúcida
trans
(o)cedental

i(r)ra
cio
(a)nal

oceânica
pup
πla



quinta-feira, 5 de novembro de 2009

da gravidade




a morte cega

não porque seja treva

mas porque seja luz

intolerável

espera

(qual esperança)

essa morte que escorre

do centro

onde (apenas lá)

está (flutua)

futura

(além) da gravidade

dos corpos com massa

desta terra pesada

(cosmoclaustro

também ela resto de astro)



quarta-feira, 14 de outubro de 2009

a ausência da elipse




A redund

ânsia

na poe

si

a tem razão de se

r.

O se

r se mult

i(m)plica no som que e

coa, no se

xo que engra

vida, no te

xto que escrito pode se

r l

ido e repe

tido.

Mas a redund

ânsia só é devi(r)

do à ausênsia da elip

se




terça-feira, 29 de setembro de 2009

s




se

(não)

se

i

que

(m)

(não)

so

(u)

(não)

so

(u)

(in)

certo

(de)

que

(m)

(não)

so

u





segunda-feira, 28 de setembro de 2009

(a)os mortos





(o apocalipse)

a morte é inevitável

(de) cada dia

talvez a desejemos

(nos dai) hoje

porque somente aos mortos

(porque) amanhã

podemos dizer tudo

(poderá ser) tarde de mais

e aos padres e psicanalistas


(aos médicos mentimos


por medo da morte


ou por medo da cura?)





prepoemaparadoxoposmoderno





agora

que a felicidade é sua

por mim

através de mim

sinto que será fecunda a culpa

pelos anos tristes

o futuro

sempr’esente

sempre guarda um suicídio

e uma carta que talvez seja escrita

e que

se for

será poesia

e um poema de amor muito pedido

e prometido

porém nunca escrito

que será

se for

(mas será (prometo)

belo embora triste

e

enfim

além do fim

as palavras desses textos

e de outros ainda inimaginados

e aquelas que agora terminam este poema





confusão





e apesar da morte

palavras

esta urgência do vivo

que é multiplicar

se

s

que é perdurar

perdurar

ok

mas por quê

se não se pressupõe o tempo como essência

então só há o que há

e tudo vale tudo

ou nada

apenas por si

ou melhor

apenas por ser

por existir

e fazer ou escrever

seja lá o que for

literatura

obituários

cartas de amor

vale o mesmo

(tudo ou nada)

apenas mais ou menos

quando visto em contexto

considere este texto

assim

perdido num blog ou num sebo

há nele um sentimento ou conceito

que talvez só existam em seus olhos

ou em minhas lembranças

ou

mais provável

que apenas sejam quando nossas dú

vidas se con

fundem

num breve beijo de lingua

gem






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