segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

os moradores da cidade



máquinas

a repetir (aranhas)

não têm raiva

não amam

pq sabem

humanos não se matam

se desmontam


ontem cientistas in

formaram crianças

precisam de 10 horas de sono/dia

(mão de obra onírica)

perguntaram ao yahoo

pq o pq

ao q ele não soube responder

depois

com ironia tautológica

pq ele não soube responder ao pq do pq

d’outra feita

por que a letra p não é considerada um p

oema 

já que ambíngua  e uma vez que o objetivo da poesia segundo os formalistas russos é tornar perceptível a  textura de uma palavra em todos os seus aspectos – Umberto Eco, Obra Aberta, p. 85, nota de rodapé

perguntaram

por que ficamos irritados quando não nos escutam

seria a língua em revolta pelo assassinato de palavras jogadas ao vento?

mas atirar pérolas a porcos não faz mal

eles ao menos as escutam

(em fones de ouvido)

e as veem  

(em cristal líquido)

mas

é claro

não tiraram as consequências da resposta

(desconhecem o conselho de Heidegger

que

segundo Harold Bloom no prefácio do seu A Angústia da Influência

disse que é preciso pensar uma ideia

e apenas uma

e pensá-la até o fim)

qual seja

que nos sobredetermina a língua

– ela nos constitui –

e

sendo assim

que melhor seria segui-la com ardor

como os poetas

e não com torpor

ignorando-se o destino

como os ratos e as crianças do Flautista de Hamelin

os quais ignoravam

sobretudo

a verdadeira identidade

dos moradores da cidade



3 comentários:

Rolando disse...

ola. estive por aquui. muito bom o seu poema. gostei. apareça por la. abraços.

Para a eternidade... disse...

Adorei seu blog!!! Parabéns!!!

Rosângela

Para a eternidade... disse...

Visite meu blog.

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