sábado, 20 de novembro de 2010
cacos
cacos
caos de espelho
o fragmento fascina
pelo (p)o(u)co que contém:
aquilo que imagina
a nós
imaginando-o
cães latem
para a própria imagem
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Cidade aTravessa 8
Pessoal, Cidade aTravessa de encerramento de ano (e década), em Sampa, Casa das Rosas. Muita gente e poesia interessantes, também estarei lá, fazendo uma leitura. Quem puder, compareça!
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
coela-chant (transcriação de "cela-canto", por Fábio Gullo)
poets
prehistoric fish
distant shores
at night
moons of statues
cats
ancient eyes
the ancient city of the roofs
domingo, 14 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
vida loka
enquanto velhos transformam o fim em filas
mortoboys
é nóis
desmaterializam-se em atrito
incandescentes
cela-canto
poetas
peixes pré-históricos
praias remotas
à noite
luas de estátuas
gatos
olhos antigos
a antiga cidade dos telhados
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
estrondam (trecho inédito de mandrágoragonia)
estrondam
th
trovões
under
xamante
rra
fé
rra
men
ta
rma
na tundra
ma
nadas
de
ma
mutes
re
tumba
m
percus(ã)o
para
sacrofício
somgue
hit
ual
áugures
tabu
a
p
onte(m)
ent(r)
em
pos
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
como navios
desejos desembocam no horizonte
mas nuvens
conhecem tudo entre o céu e a terra:
a eternidade dos gatos que desfaz infâncias…
os sonhos negros dos velhos
que consentem as cores às roupas dos jovens…
a solidão
que é cegueira e surdez
(somente casais escutam o oceano)
este meu desejo e de outros tantos:
que ela fosse eterna ou feita de alumínio
Leitura de um poema de Haroldo de Campos escrito por Márcio-André
Neste texto eu gostaria de compartilhar uma experiência de leitura incomum. Trata-se de uma leitura do poema 1984: ano 1, era de Orwell, de Haroldo de Campos. Eis o poema:
enquanto os mortais
aceleram urânio
a borboleta
por um dia imortal
elabora seu vôo ciclâmen
Não procurarei, por ora, as causas exatas (isto é, estilísticas, imagéticas, entre outras) desta minha experiência, mas o fato foi que, ao percorrer estas poucas linhas, tive a sensação estranhíssima de estar lendo um texto do poeta Márcio-André, e não o poema, que eu já conhecia e relera inúmeras vezes, de Haroldo de Campos.
Mais estranho: não me pareceu este um dos melhores textos do poeta carioca. Era como se Haroldo de Campos, neste exemplo particularíssimo de sua multifária obra e estilística, tivesse previsto ou imitado a obra que apenas Márcio-André realizaria plenamente, gerações depois, ligando ao seu nome a expressão estética máxima daquele modo de fazer poético que eu descreveria, muito resumidamente e grosso modo, como a (des)construção cíclica de objetos, experiências e mundos a partir do mais peculiar e potente modo de se conjugar imagens, ideias e palavras (como coisas em si, a la Mallarmé e concretos) de que se tem notícia neste nosso início de século.
Vejamos, a título de aproximação e exemplo para o leitor que desconhece a obra do poeta radioativo, o poema O Reflexo, extraído do livro Intradoxos:
um mar modula nuvens de metal
na areia-lâmina o homem
ghia o reflexo de uma bicicleta pelo céu
o olho-vagem de um felino
retém o escheleto de uma árvore
rachaduras em sua retina
a lua é uma pedra de carne seca
encuanto o próprio carvão não aceita aderências de luz
um ângulo mais agudo – o avesso
o lado oco da morte
Vejamos agora, em zoom in imagético, trecho do poema Mecanismos, do mesmo livro:
a] butter-flyes
– a lacustre-asa-jóia –
na faca
do capim-navalha
vegetal-água a
fatias de papel manteiga
b] a borboleta reflete-se em asas
Interessa-nos o trecho – por si só um poema completo – como um todo, mas atentemos a princípio para a preciosidade e beleza sublimes da metáfora “a lacustre-asa-jóia”; para o que eu chamaria de símile ideogrâmico, “fatias de papel manteiga”, cujo mecanismo de base seria a elipse; finalmente para o último verso, inegável pedra-de-toque, para usar um termo caro a Haroldo.
De lado a sugestão de uma leitura comparada dos textos citados, retorno à minha estranha leitura do primeiro deles. De imediato notei que experimentava um modo de interpretação descrito por Harold Bloom em seu famoso e controverso A Angústia da Influência. Gosto muito de Bloom e me identifico com sua paixão pelas letras, mas como quase todo mundo, tenho minhas discordâncias com o bardólatra, o que não vem ao caso. Importa eu ter experimentado justamente a mais incomum e inacreditável das proporções revisionárias de sua teoria da poesia, aquela que ele denomina apophrades, ou retorno dos mortos, e explica da seguinte maneira:
A apophrades, os dias tristes ou desafortunados nos quais os mortos voltam a habitar suas antigas casas, ocorre aos poetas mais fortes, mas com os muito mais fortes dá-se um grande e final movimento revisionário, que purifica até mesmo esse último influxo… Pois todos eles conseguem um estilo que capta e curiosamente retém prioridade sobre seus precursores, de modo que se subverte a tirania do tempo, e pode-se acreditar, por momentos de pasmo, que estão sendo imitados por seus ancestrais.
A frase “por momentos de pasmo” resume à perfeição o que senti durante esta minha leitura do poema 1984: ano 1, era de Orwell, de Márcio-André.
a máquina de subentendidos
tênis feito de chi
(made in china)
um laço
uma criança mumificada em cardaços
dominado o espaço físico
engolido o sapo da incapacidade de se explorar o espaço sideral
inventou-se o espaço virtual
sob desmedida
absolutamente dom(in)ável
subentende-se a máquina
subentende-se a miséria
subentende-se a corrupção
subentende-se a vaidade
subentende-se a ambição
subentende-se a ideia de que tudo é subentendido
subentende-se o subentendido (mesmo que) propriamente dito
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
morrer é preciso
morrer é preciso
morrer no mar não é preciso
toda morte é marítma
toda história martírio
o resto, vida
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
réquiem eletrônico
suor
soro para exame de consciência no consultório do ônibus
remorso
doença que se (a)grava no nojo do outro
suicídio
segredo guardado em noites sem sono
(estática (na) TV
réquiem eletrônico)
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Thor -- Trailer
A Marvel ainda não liberou o trailer, mas ele já está circulando na rede. Chris Hemsworth está bem no papel principal, o que já é um bom começo. Anthony Hopkins como Odin é duvidoso: eu esperaria alguém mais "casca grossa", menos sutil (Mickey Rourke?!?), mas certamente ruim é que não vai ficar. Kenneth Branagh como diretor é uma escolha inusitada e arrojada -- eu diria ótima: sua experiência no mundo shakespeariano como diretor, roteirista e ator parece de algum modo o background perfeito para o novo projeto.
Resumindo, quem sabe não tenhamos em mãos um novo Homem de Ferro? Confiram o trailer:
http://www.trailerdownload.net/movie/thor/trailers/trailer-4200.html
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
nostalgia da rima
enquanto na vila
telhados se afogam no céu
e o horizonte salva vidas
na cidade
fora a metáfora
sobrevive a nostalgia da rima
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