rosa rigor
da rosa
horrorosa beleza
página em branco
tinta materializa pensamento
borra quando toca
quanta e qual qualidade de informação numa imagem
ou só simples photographia (mero estímulo) não novo
estilo pousar fragmentos ou fantasmagorias surrealistas
quão importante saber se isto (estilo) é
importante (ou se existe, e se sim, de qual ponto
de vista [relativismo estético]) quão velho
pe(n)sar a possibilidade (balança quântica probabilística:
qual sua medida: quanta) do novo (originalidade, se houver, vale
ouro e será considerada muito original) ou prosa
impessoal dissertativa discursiva objetiva (não redundante, i. é.,
não repetitiva, não enfática [discurso para a elite intelectual])
didática (discurso pro povo)
sintaxe ortographia semântica
entendimento ([p]onto)lógico (lógico) ou intuição de intenções (de
comunicação) tortuosas (pre[tenções])
texto ou tesseract
narrativa ou abstração
verso ou constelação
silogismo ou rizoma
recriação ou representação
apolo ou dionísio
hybris ou equilíbrio
monólogo ou diálogo
perguntar é preciso
poesia
para que
tudo isso
o que está pensando
nada
nunca é nada, sempre é alguma coisa
os pensamentos nunca e sempre
são só palavras
nada é contido
tudo é sentido
nada é (contido
tudo é) sentido
(nada é con)tido
(tudo é sen)tido
nada é (con)tido
tudo é (sen)tido
nada é contido
tudo é sentido
nada é contido
tudo é sentido
nada é con(tido
tudo é) sentido
dedicado à Paty
te quero
eu tb
tem certeza
n sei
espera
o q
há algo q quero dizer
está bem
o toque
n te toquei
quando tocar
talvez n haja o toque
mas a pele
apenas querer
tenho medo
sua voz falha
eu pouco falo
eu o escutaria toda a noite
detesto falar sozinho
então um diálogo
até o raiar do dia
uma conversa íntima
todas as conversas são íntimas
verso e rima
poesia
onde a luz não está,
estarão os olhos?
estranho:
ondas
ou
pontos,
ou
ali,
onde estarei,
o que enxergo?
serei cego?
endosso
ou nego
o fim de
um ser,
estar,
existir,
somente de
mim para
mim?
quero o
outro
-- espero
--, este inseto
de quem
tenho nojo
e cuja
existência
é-me
incerteza?
disto estou
certo:
haverá um
fim;
que o
outro,
se quiser
-- concreto
ou reflexo,
ele me-smo
ou
parte
de
mim –,
fique em
nossa
desilusão
de simplesmente
existir.
para Ilya Prigogine
são apenas sinapses que caminham
além da lente de olhos
pessoas que penetram meus pensamentos
e eu que as penso luz
mas o serão realmente?
se se encontram se tocam e se falam
que importa a precisão de onde quando como ou porquê?
importa que se dá de algum modo
é o que se pode dizer
e penso com irrelevância
talvez
que o sol se consome para que este poema
relevante porém
em toda sua diferença
simplesmente aconteça
você pode escolher se a tarde está vazia;
ela jamais o está por inteiro.
embora seus sons tendam
ao silêncio
sensível, dentro de ti ela ressoa em secreta apatia,
fértil forma de um nada
de todo sentimento.
se chovesse seria fácil:
falaria do frio
mas,
ficar
e lembrar
em palavras este leve sentimento de sempre,
que assim,
quando muito,
o sonhado estio de toda a existência.