sexta-feira, 13 de março de 2009

ar




toc

ar

               

a

               

                                c

ar

     

     ne



                


ver



na           luz

                vi

                               ver

  a                           es

                               cu

                               ri

                               dão        



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

poema para que(das)



página em branco

tinta materializa pensamento

borra quando toca

 

quanta e qual qualidade de informação numa imagem

ou só simples photographia (mero estímulo) não novo

estilo pousar fragmentos ou fantasmagorias surrealistas

quão importante saber se isto (estilo) é

importante (ou se existe, e se sim, de qual ponto

de vista [relativismo estético]) quão velho

pe(n)sar a possibilidade (balança quântica probabilística:

qual sua medida: quanta) do novo (originalidade, se houver, vale

ouro e será considerada muito original) ou prosa

impessoal dissertativa discursiva objetiva (não redundante, i. é.,

não repetitiva, não enfática [discurso para a elite intelectual])

didática (discurso pro povo)

sintaxe ortographia semântica

entendimento ([p]onto)lógico (lógico) ou intuição de intenções (de

comunicação) tortuosas (pre[tenções])

texto ou tesseract

narrativa ou abstração

verso ou constelação

silogismo ou rizoma

recriação ou representação

apolo ou dionísio

hybris ou equilíbrio

monólogo ou diálogo

perguntar é preciso

poesia

para que

tudo isso



o que está pensando



o que está pensando

nada

nunca é nada, sempre é alguma coisa

os pensamentos nunca e sempre

são só palavras



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

CON SEN TIDO



nada é contido

tudo  é sentido

 

nada é (contido

tudo  é) sentido

 

(nada é con)tido

(tudo  é sen)tido

 

nada é (con)tido

tudo  é (sen)tido

 

nada é contido

tudo  é  sentido

 

nada é contido

tudo  é sentido

 

nada é con(tido

tudo  é) sentido

 

 

  

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

VARAL




PALAVRASÃOENSINADAS

COISASÃOENSIMESMADAS

POEMAMBIVALÊNCIA

VARALPARAPALAVRAS



Decl)amar


dedicado à Paty



te quero


eu tb


tem certeza


n sei


espera


o q


há algo q quero dizer


está bem


o toque


n te toquei


quando tocar


talvez n haja o toque


mas a pele


apenas querer


tenho medo


sua voz falha


eu pouco falo


eu o escutaria toda a noite


detesto falar sozinho


então um diálogo


até o raiar do dia


uma conversa íntima


todas as conversas são íntimas


verso e rima


poesia



terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

onde a luz não está



onde a luz não está,

estarão os olhos?

 

estranho:

ondas

ou

pontos,

aqui

ou

ali,

onde estarei,

o que enxergo?

 

serei cego?

endosso

ou nego

o fim de

um ser,

estar,

existir,

somente de

mim para

mim?

 

quero o

outro

-- espero

--, este inseto

de quem

tenho nojo

e cuja

existência

é-me

incerteza?

 

disto estou 

certo:

haverá um

fim;

que o

outro,

se quiser

-- concreto 

ou reflexo,

ele me-smo

ou

parte 

de

mim –,

fique em

nossa

desilusão

de simplesmente

existir.


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

a indiferente precisão da linguagem

para Ilya Prigogine


são apenas sinapses que caminham

além da lente de olhos

pessoas que penetram meus pensamentos

e eu que as penso luz

mas o serão realmente?

se se encontram se tocam e se falam

que importa a precisão de onde quando como ou porquê?

importa que se dá de algum modo

é o que se pode dizer

e penso com irrelevância

talvez

que o sol se consome para que este poema

relevante porém

em toda sua diferença

simplesmente aconteça



quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Cinza




você pode escolher se a tarde está vazia;

 

ela jamais o está por inteiro.

 

embora seus sons tendam 

ao silêncio 

sensível, dentro de ti ela ressoa em secreta apatia,

fértil forma de um nada

que é a fonte comum e sem fim

de todo sentimento.

 

se chovesse seria fácil:

falaria do frio e a tudo estenderia a neutralidade do cinza.

 

mas,

qual ser divino,

o sol se faz e torna difícil 

ficar  

e lembrar 

em palavras este leve sentimento de sempre,

que assim,

involuntariamente,

alonga estas linhas no quase vazio de uma tarde em que não há totais escolhas, 

quando muito, 

o sonhado estio de toda a existência.




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