quarta-feira, 22 de março de 2017

monções

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monções



Era lembrança e culpa
a lágrima estacionada no poço da pupila:
era o erro da responsabilidade
apoiado na ilusão de liberdade.

Erro – erros se repetem (e se
multiplicam) – entrevisto
na imagem modelada
pela água empoçada:

chuva e tempestade
e copas de árvores em movimento,
seu sublime atlântico pouco
mais que a alegria de estátuas
iludidas pelo vento.

Pois pensamos e vivemos
como se a cela do enlace
não a contivesse o relance,
reflexo que informa o momento
e explode nas falhas do asfalto
(instante endurecido e negro)
o ultimato de pombos-fátuos:
fragmentam-se duas vidas na via
– a sua, a minha –  
mesmo que, tristes, se sintam
profundamente comungadas
(todo fundo é melancolia,
mesmo quando iluminado).

Mas ainda que o ato seja falho e fa(r)do
– prefacia, sumário, todo um livro
chamado profecia –, que
a lágrima surja em que-
da, propicia que seque
e suma.

...


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