quarta-feira, 24 de novembro de 2010

nota revoltada contra os falsos poetas do facebook

Ce que le public te repproche, cultive-le, c'est toi
Jean Cocteau

Aquilo que o público vaia, cultive-o, é você
tradução de Augusto de Campos

VIVA VAIA
intradução de Augusto de Campos


Segue a nota que publiquei há pouco no Facebook:





no que estou a pensar? na indizível dificuldade da literatura, na crença de que só se deve publicar o que tem valor, isto é, muitíssimo pouco (por isso, se eu mesmo publicar algo, será com/por incerteza e/ou fraqueza e/ou grande remorso), na vontade, talvez passageira, de desativar blog e redes sociais para não cair na tentação da atenção fácil e me tornar uma puta ou um vil palhaço... sei que tem quem saiba usar o milagre digital com parcimônia, mas fora estes, penso que poetas, por seu dom divino, simplesmente NÃO TÊM O DIREITO de passar "virtualmente" dias inteiros no social-digital, no mero social (em eventos sem fim, entrevistas sem fim, atividades de divulgação sem fim...) ou no mero-qualquer-coisa quando deveriam estar suando sobre o teclado para criar (um)a obra e assim justificar seu dom e (su)a (própria) existência... e não peço desculpas se ofendo alguém: podem ficar de mal e que se danem, já que importam menos que uma ponta de grafite gasta, menos até que os autênticos do Facebook, isto é, todos os não poetas que podem, com ao menos algum direito, se dar ao luxo/lixo de um ócio fácil e agradável... que se regenerem, os ofendidos, e, na impossibilidade de serem grandes e originais, que ao menos sejam autênticos (Auden)...


P.S.: Terei perdido com esta nota algum "contato" importante para meu futuro como poeta? Talvez os não autênticos... Mas o ponto é que poetas não tem futuro, só o presente da obra, que não precisa ser impressa nem sequer ter mais do que um punhado de leitores para se justificar.



6 comentários:

Anônimo disse...

Concordo com você, Gullo.
Por isso procuro não frequentar ditas redes sociais.
Mas você pisou nos calos de alguns vários e variados.
Abraços,
Pedro Du Bois

Fábio Romeiro Gullo disse...

Salve, Pedro!

De meu lado, tento controlar a tentação, usando com parcimônia as redes sociais. Às vezes me rendo, e me arrependo. Porém cada vez menos. Sabe: "Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você".... (Nietzsche, Além do Bem e do Mal). Nosso abismo é a tela de cristal líquido...

Quanto aos ofendidos, há grandes poetas entre eles, pelos quais tenho admiração; a estes não desejo ofender, mas abrir os olhos: sinto tremenda falta de seus textos, os estéticos, não as mensagens de "olha como eu sou cool, gostem de mim"...

Anônimo disse...

boa! eu prefiro falar besteira do que mostrar trabalhos inconclusos!
Márcio-André

Anônimo disse...

Mas, no meu caso, justamente o fato de ficar horas no computador trabalhando no meu livro é o que me impede de ficar longe do facebook : (
É um paradoxo!
Márcio-André

Fábio Romeiro Gullo disse...

nem fala nisso, Márcio. A tentação da publicação instantânea é terrível... caio nela toda hora... mas isso pode ser bom, se colocarmos o ego de lado e a tirarmos como exercício para publicação impressa (leia-se: definitiva) futura... mas o ponto, p mim, é n tirar tempo da prática séria e solitária da literatura para ficar de fofoca por aí, saca? veja o que respondi para o Pedro Du Bois acima.

Olha, Márcio, p mim cada um faz o q quiser c seu tempo, CONTANTO QUE NÃO SE DIGA POETA. Estes têm deveres sagrados, inalienáveis. E ao mesmo tempo que os invejo (mesmo me declarando um deles), sinto muito por suas dificuldades e agonias

Anônimo disse...

Quel beau texte! Juste une remarque: le mot "reproche" a un "p" seulement. C'est tout. Céline Douchard

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